Volume 1, edição anual - 2013 

ISSN 2358-8624


Projeto de Extensão Rádio e Saúde: promovendo ações de comunicação em saúde e educação nutricional

 WEISS, Elisa; SIGNORI, Suélen; SULZBACH, Cíntia Cristina

INTRODUÇÃO

A saúde é um direito fundamental do ser humano e tem como fatores determinantes e condicionantes, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais (BRASIL, 1990).

Deste modo, as ações de saúde devem tomar como objeto as necessidades de saúde e seus determinantes e condicionantes, de modo que a organização da atenção e do cuidado envolva, ao mesmo tempo, as ações e os serviços que favoreçam a ampliação de escolhas saudáveis por parte dos sujeitos e das coletividades no território onde vivem e trabalham (BRASIL, 2006).

Para França et al (2003) In: Prado (2007), a Educação em Saúde é um processo pedagógico que concebe o  homem  como  sujeito,  principal  responsável  por sua  realidade.  Como  tal,  suas necessidades de saúde e bem-estar são solucionadas a partir de uma ação consciente e participativa, a qual se organiza com elementos específicos de sua história, sua cultura e sua dinâmica própria. É uma prática que instrumentaliza as populações para a identificação dos problemas de saúde, análise de suas causas e consequências, em relação a suas vivências e para a adoção de soluções específicas de saúde.

A educação nutricional contribui para a conquista de indivíduos e/ou populações de condições para obter formas mais saudáveis de se viver e de se alimentar. Suas ações se dão numa relação entre sukeitos, que se constituem sócio-historicamente e são síntese do individual e do social  (RESENDE, MURTA E MACHADO, 2011).

Em relação a isso, as rádios estão à disposição dos profissionais de saúde para trabalhar educação em saúde e em nutrição com a população, criando autonomia e buscando transformações profundas na realidade sanitária (FRANÇA, 2003 In: PRADO, 2007).

Segundo Slaviero (2006), o rádio é um veículo de comunicação próximo do cidadão. Pode ser ouvido em qualquer horário e lugar: casa, trabalho, veículo parado ou em movimento. Os serviços de radiodifusão são recebidos direta e livremente pelo público em geral e possuem finalidade educativa e cultural (BONNA, 2009). 

O Projeto de Extensão “Educação em Saúde: a rádio como ferramenta de comunicação e interação com a comunidade” desenvolve ações de educação em saúde através do rádio e busca aproximar a universidade no cotidiano da população da cidade de Palmeira das Missões/RS e região.  Por meio  deste  projeto,  é possível  desenvolver ações  voltadas  à educação  nutricional, orientações sobre alimentação saudável, hábitos de vida saudável e estilo de vida, fazendo com que seus ouvintes tenham acesso a informações muitas vezes restritas à comunidade científica.

OBJETIVO

Relatar a experiência da equipe de Nutrição do projeto a fim de discutir a relevância do rádio como ferramenta para o desenvolvimento das ações de educação nutricional e de comunicação em saúde.

METODOLOGIA

O projeto, uma parceria entre os cursos de Enfermagem e Nutrição da UFSM  campus Palmeira das Missões, desenvolve programas que ocorrem semanalmente, ao vivo, com duração de 15 minutos na Rádio Comunitária Landell FM 87.9, no município de Palmeira das Missões/RS.

As temáticas são adequadas a partir das necessidades da realidade local e utiliza a mediação entre os termos técnicos-científicos e o popular, adaptada ao cotidiano da população. A elaboração dos programas acontece na universidade sob orientação de uma nutricionista envolvida no projeto, observando conteúdos atuais e a utilização de linguagem acessível à população. A apresentação do programa fica sob responsabilidade dos acadêmicos voluntários.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os programas desenvolvidos pelo projeto buscam informar a comunidade sobre temas referentes à saúde, como estilo de vida e alimentação saudável, fomentando a reflexão sobre seus hábitos de vida e o autocuidado. Além disso, aproximam a universidade da comunidade, divulgando a importância do nutricionista para a promoção e proteção da saúde.

A partir das ações do projeto, verificam-se diversas vantagens entre a parceria universidade, rádio e comunidade. Em relação à universidade, a construção, o contato e a busca por formas de comunicação mais efetivas contribuem extensamente na formação acadêmica, qualificando os participantes  para  uma  atuação  profissional  mais  comprometida  com  a  realidade  social  e comunitária, além  de propiciar uma melhor desenvoltura e facilidade de trabalhar em  equipe, imprescindível para o desenvolvimento de ações em saúde. Para a rádio, verifica-se um aumento na diversificação de seus programas, colaborando com a função de entreter seus ouvintes com informações de qualidade. 

Já para a comunidade, a relevância dos programas está no fato de possibilitarem o acesso a informações de qualidade, aplicáveis ao seu contexto, que proporcionam a reflexão acerca do modo de viver, demandas e potenciais de saúde e podem fomentar uma postura mais ativa da população em relação à sua saúde, tais como: a busca por serviços de saúde e formas de viver mais saudáveis, a mobilização social para melhorar as condições de vida nas comunidades, a noção de cidadania e a valorização dos seus saberes e práticas.

O rádio é considerado o meio de comunicação mais presente na sociedade, atingindo de igual forma todas as classes sociais e faixas etárias. Pode ser ouvido em qualquer lugar e horário, e tem  por  finalidade  nos  entreter,  divertir  e  ser  veículo  de  informação.  Por  ter  uma  ampla abrangência, tornou-se uma importante ferramenta de educação e promoção da saúde.

Exige-se que o nutricionista seja capaz de produzir conhecimento novo, e acima de tudo, que seja gerador de mudança, de transformação, sendo um encarado disseminador de informação de qualidade sobre nutrição e alimentação. A informação gerada por ele deve ser adaptada, de uma linguagem científica, para uma mais popular, a fim de produzir abordagens educativas eficazes.

A comunicação e a ciência da nutrição precisam estar interligadas, de forma a desempenhar ações comprometidas com o processo de transformação de realidades, devendo ser uma estratégia de interação entre os sujeitos. O processo educativo deve mobilizar os sujeitos, tornando a construção do conhecimento prazerosa, articulada às necessidades dos envolvidos de forma a contribuir para sua emancipação. Considerando essa influência, como profissionais de saúde devemos utilizá-la a favor da saúde e da qualidade de vida, promovendo a saúde e mostrando à população formas de como se alimentar de forma mais saudável com custo acessível.

A educação em saúde deve estar pautada na articulação entre representações sociais, que constituem um conjunto de acordos e de conflitos continuamente transformados por meio de interações entre os indivíduos e a sociedade (GAZZINELLI et al., 2005). Deve encorajar ao questionamento sobre os problemas cotidianos, valorizando as experiências individuais e sociais. Neste contexto, educação nutricional favorece a consciência do direito à saúde e instrumentaliza para a intervenção individual e coletiva sobre os determinantes do processo saúde/doença (KRUSCHEWSKY et al, 2008).

CONCLUSÃO

O rádio tem grande acessibilidade, e é uma forma simples de se veicular informações. O Programa Rádio e Saúde oportuniza aos acadêmicos uma formação de qualidade, comprometida com a realidade social e comunitária, além da experiência do trabalho em equipe.

Para a comunidade, possibilitam o acesso a informações de qualidade, que proporcionam a reflexão e podem fomentam uma postura mais ativa da população em relação à saúde e cidadania. 

REFERÊNCIAS

BONNA, Vanda.(2009). A legislação de radiodifusão e as oportunidades de melhoria. Acessado em 20/07/2013. Disponível em: http://www.abert.org.br/site/images/stories/pdf/A_legislacao_deradiodifusao_e_as_oportunidades_d e_melhoria_Vanda_Bonna_Nov_2009.pdf

BRASIL. Lei 8080 de 19 de setembro de 1990. Lei Orgânica da Saúde. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Diário da União, Brasília, 1990, Seção I.

 GAZZINELLI et al.. Educação em saúde: conhecimentos, representações sociais e experiências da doença. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 21(1):200-206, jan-fev, 2005.

KRUSCHEWSKY, J. E.; KRUSCHEWSKY, M. E.; CARDOSO, J. P. Experiências Pedagógicas de Educação Popular em Saúde: a Pedagogia Tradicional Versus a Problematizadora. Rev.Saúde. Com. 2008; 4(2): 160-160.

 SLAVIERO,P. Daniel.(2006) “O Papel Do Rádio Na Comunicação Social” Acessado em 20/07/2013. Disponível em: http://www.abert.org.br/site/images/stories/pdf/O_papel_do_radio_na_comunicacao_social_Daniel_ Slaviero_Out_2006.pdf

REZENDE, E. G.; MURTA, N. M. G.; MACHADO, V. C. Educação Nutricional e a cultura como questão. Ponto-e-vírgula, 10: 89-100, 2011. São Paulo: PUC SP. Disponível em: <http://www.pucsp.br/ponto-e-virgula/n10/artigos/pdf/pv10-08-rezendemurtamachado.pdf>. Acessado em: 17/10/2013.

PRADO, V. do Ernande.(2007) “Programa de educação em saúde via rádio: percepção do ouvinte” Acessado em: 20/07/2013. Disponível em: http://www.saocamilo- sp.br/pdf/mundo_saude/55/10_percepcao_do_ouvinte.pdf

SANTOS, Ligia A. S. (2005). Educação alimentar e nutricional no contexto da promoção de práticas alimentares saudáveis. Revista de Nutrição, 18(5), 681-692. Disponível em: http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/65114/2/11355.pdf

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Política nacional de promoção da saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/pactovolume7.pdf

MARCHIONI, D.M.L(1999). Comportamento alimentar. Caderno UniABC de NutriÁ„o. v.1, n.1,p.7-13. Disponível em: http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/1/19/20_-_Nutricao_e_Midia.pdf