Volume 1, edição anual - 2013 

 ISSN 2358-8624


METODOLOGIAS DE EDUCAÇÃO E ORIENTAÇÃO EM UM GRUPO ADULTO DE INTERVENÇÃO NUTRICIONAL

 

POGORZELSKI, Ana Raquel1; SILINSKE, Micheli²; BONESSO, Carla Smaniotto2; SULZBACH, Cíntia3; FUKE, Gitane4; CENI, Giovana Cristina4; BOTTARO, Silvania Moraes4

 1 Apresentador. Acadêmica do curso de Nutrição da Universidade Federal de Santa Maria 

(UFSM), Campus Palmeira das Missões - RS.

 

2 Co-autor. Acadêmica do Curso de Nutrição da UFSM, Campus Palmeira das Missões - RS.

 

3 Orientador. Nutricionista e Técnica Administrativa da Universidade Federal de Santa

 

Maria, Campus Palmeira das Missões - RS.

 

4 Orientador. Docente do Curso de Nutrição da UFSM, Campus Palmeira Das Missões - RS.

  

INTRODUÇÃO

 

Nos últimos tempos, expressões como qualidade de vida e alimentação saudável vêm atraindo a atenção de pessoas de diferentes idades, classes sociais e graus de instrução. De igual modo, desperta interesse a possibilidade de se desenvolver estilos de vida saudáveis, para o que ocupa posto privilegiado a alimentação e a educação nutricional (BOOG, 2004).

Para Brissoli e Lanzillotti (1997), a educação nutricional tem por finalidade a formação de atitudes e práticas que conduzam à melhoria da saúde. Por isso seu conceito insere-se no de educação para a saúde, como qualquer combinação de atividades de informação e educação que leve a uma situação em que as pessoas desejem estar saudáveis, saibam como alcançar a saúde, façam o que puderem individual e coletivamente para manter a saúde e busquem ajuda quando a necessitem. Tal conceito baseia-se nas teorias críticas da educação que têm como principal característica a dependência da educação em relação à sociedade, buscando sempre transformar os conhecimentos ao invés de reproduzí-los.

A educação alimentar e nutricional, no decorrer das últimas décadas, sofreu modificações em relação a sua proposta inicial, sendo voltada para transmitir informações, ser libertadora e conscientizadora. Tem como objetivo não apenas fornecer informações, 

mas também mudar o comportamento alimentar a ponto de estabelecer práticas alimentares e estilo de vida saudáveis. Essa proposta implica em períodos de longo prazo para consolidar como hábito alimentar saudável (GOSTTSCHAL e BUSNELLO, 2009).

Ainda, de acordo com Gosttschal e Busnello (2009), as estratégias de ensino devem ser  utilizadas  para  trabalhar  as  dificuldades  e  também  as  percepções  das  práticas alimentares, o que implica no reconhecimento da necessidade de alteração dos hábitos. A elaboração de materiais é de grande importância para garantir o entendimento das informações repassadas, funcionam como ferramentas para a educação nutricional. Nesse sentido, muitas reflexões são feitas na escolha das técnicas e recursos para motivar os indivíduos a alterar o consumo alimentar.

Um destes recursos pode ser o aconselhamento em grupo, um trabalho realizado em conjunto com indivíduos que apresentam problemas nutricionais similares, que pode ser trabalhado com qualquer tipo de pessoa. As instruções em grupo podem ser muito efetivas, se o planejamento for cuidadoso, dando a possibilidade de prática suficiente das habilidades ensinadas. Algumas questões devem ser levadas em conta quando se trabalha com educação nutricional em grupo, como o número de participantes do grupo, ter um relacionamento cooperativo e de interação com o grupo, oportunizar aos membros do grupo a prática de novas habilidades e utilizar abordagem positiva e motivadora (CUPPARI, 2005).

  

OBJETIVOS

 

O presente trabalho tem como objetivo demonstrar metodologias de educação alimentar e nutricional, aplicadas a adultos de um grupo de intervenção nutricional.

  

METODOLOGIA

 

Este trabalho faz parte de um projeto de extensão denominado “Grupo Viva Melhor: qualidade de vida no cuidado com a alimentação”.  O grupo de intervenção nutricional realiza as reuniões uma vez por semana, com duração média de uma hora e meia, totalizando oito encontros, ou seja, dois meses de duração. As metodologias de educação alimentar e nutricional utilizadas no grupo abrangeram materiais didáticos, dinâmicas com materiais lúdicos e educativos, além de vídeos e discussões.

Foi elaborado um material didático, que consiste em um guia prático com o roteiro de cada encontro do grupo (Figura 1). Neste guia os participante puderam acompanhar os temas explanados e fazer anotações complementares ou de dúvidas sobre o assunto apresentado. Neste guia encontram-se como ponto de partida as metas que cada participante 

deseja alcançar com o andamento do grupo, peso, altura e o cálculo do Índice de Massa

 

Corporal (IMC), onde cada participante calculou seu próprio dados.

 

Outro recurso utilizado foi a Pirâmide Alimentar proposta por Philippi et al. (1996), através dessa se pôde repassar aos participantes as noções de porções de cada grupo alimentar, através de uma dinâmica onde os próprios participante montaram a pirâmide alimentar com alimentos de E.V.A. Com esse conhecimento foi possível a cada integrante montar seu próprio plano alimentar com o auxílio de fichas coloridas que representavam as porções dos alimentos e foram ensinadas também as medidas caseiras de cada porção. Um vídeo sobre a importância do fracionamento das refeições também foi apresentado.

Para aprender a ler rótulos de alimentos e suas informações nutricionais, utilizaram- se embalagens de alimentos comumente consumidos. Além de vídeos sobre a quantidade de sal e óleo contidos em certos alimentos e dicas práticas de como se portar em um supermercado, quais as escolhas mais saudáveis e como evitar comprar produtos desnecessários.

  

Figura1 - Material didático com o roteiro de cada encontro do grupo Viva Melhor.

  

RESULTADOS E DISCUSSÕES

 

Todas as dinâmicas de educação nutricional aplicadas ao grupo obtiveram boa aceitação dos participantes, resultando em um estímulo para a continuação dos integrantes no  grupo.  A  cada  encontro  havia  dinâmicas  novas  no  grupo  e  seguirem  as  dicas  e orientações, como demonstrado na Figura 2.

O material didático elaborado tornou-se um guia prático onde os participantes puderam relembrar, durante a semana, os ensinamentos repassados ao grupo, também um 

material de apoio para lembrá-los da importância de continuar seguindo as orientações e um roteiro para que pudessem acompanhar os assuntos abordados. A partir do cálculo dos dados de peso e altura os participantes puderam realizar na prática os cálculos de seus próprios IMC, podendo entender assim como se chega ao resultado final deste cálculo.

  

  

 (A)  (B)

 

Figura 2 – Atividade de educação alimentar e nutricional em grupo (A). Explicação sobre rotulagem de alimentos (B).

 

 

Com a atividade realizada sobre a pirâmide alimentar, foi proporcionado ao grupo uma forma de aprendizado diferente do convencional. Como o grupo deveria chegar a um consenso e assim montar a pirâmide, essa atividade exigiu que todos os participantes trabalhassem em conjunto para obter, no final, um resultado, que nesta dinâmica resultou na pirâmide alimentar completa. E assim eles obtiveram conhecimentos sobre os grupos alimentares  e  as  porções  de  cada  grupo  que  deveriam  ser  consumidas  diariamente aprendendo com seus erros e acertos.

A montagem  do  plano  alimentar com  o  auxílio  das  fichas  coloridas  exigiu  dos participantes um senso de organização, já que era necessário organizar as porções de alimentos que iriam consumir em um  dia, distribuído essas fichas ao longo do dia e sem ultrapassar a quantidade de porções estipuladas.

Com o auxílio de rótulos de alimentos geralmente consumidos pelos integrantes do grupo foi possível realizar explicações e discussões de como ler os rótulos e compreender as informações nele contidas. Foi possível também trabalhar com a elaboração da tabela nutricional, que também se encontra nos rótulos e a não se iludir com o marketing que as empresas colocam nos rótulos de alimentos. 

Através dos vídeos sobre a quantidade de sal e óleo nos alimentos, que foram apresentados ao grupo, os participantes puderam visualizar a quantidade destes componentes em certos produtos, fazendo comparações entre a quantidade de produto e a quantidade do componente que fazia parte do produto.

Essas dinâmicas puderam resultar em aprendizado prático para os integrantes do grupo e um melhor entendimento do conteúdo repassado.

 

 

CONCLUSÕES

 

Cada vez mais a população vem buscando qualidade de vida e alimentação saudável e a educação nutricional é um importante recurso a ser utilizado para estes fins. Com as dinâmicas realizadas é possível informar as pessoas sobre hábitos mais saudáveis e assim estimular a mudança do estilo de vida.

As dinâmicas em grupo são instrumentos que possibilitam a educação nutricional dos participantes, um melhor relacionamento de grupo e consequentemente um melhor estilo de vida com uma alimentação saudável. Através delas é possível um ensinamento diferenciado, onde a pessoa tem prazer em aprender e seguir as dicas repassadas, sente-se motivada a mudar sua alimentação e sente-se importante por participar de todo o processo.

Quando se trabalhado em grupo, a interação entre os participantes nas dinâmicas é importante,  para  que  se  sintam  motivados  a  continuar  seguindo  as  recomendações  e tornando-se exemplos uns dos outros, conseguindo assim chegar a sua meta inicial.

 

 

REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BISSOLI, M. C.; LANZILLOTTI, H. S.Educação Nutricional como forma de intervenção: avaliação de uma proposta para pré-escolares.Campinas: Rev. Nutr. [online], 1997.

BOOG, M. C. F. Educação Nutricional: por que e pra quê?Jornal da

 

UNICAMP,Campinas, 2004.

 

CUPPARI, L. Guia de Medicina: nutrição clínica no adulto. Barueri: Manole,2005. GOSTTSCHALL, C. B. A.; BUSNELLO, F. M. Nutrição e Síndrome Metabólica. São Paulo: Atheneu, 2009.

PHILIPPI, S. T. et al.Pirâmide Alimentar Adaptada: Guia para escolha dos alimentos.

 

Campinas: Ver. Nutr. [online], 1999.