Volume 1, edição anual - 2013 

 ISSN 2358-8624

 



CONTAGEM PADRÃO EM PLACA DE MESÓFILOS EM AMOSTRA DE LEITE 

DE VACA IN NATURA 

 

Aline Maria Werner*, Angela Maria de Castro Felten*, Angélica Inês Kaufmann**, Carlos   Reinoldo   Britzke   Brandão*,   Paula   Damke   Berwaldt*,   Caroline   Curry Martins***

Co-Autor(a)*, Apresentadora**, Orientadora**

1. INTRODUÇÃO

Existem diferentes métodos para quantificar o crescimento de uma população microbiana. Alguns métodos determinam o número de células enquanto outros analisam a massa total da população, que é diretamente proporcional ao número de células. A quantificação de uma população  geralmente é realizada considerando  o número de células em um mililitro do meio líquido ou um grama do material sólido. Como normalmente populações bacterianas são muito grandes, são utilizadas pequenas amostras dessas para contagem por meio de métodos diretos ou indiretos. O tamanho total de uma população é, então, determinado utilizando fórmulas matemáticas para o cálculo desses valores (TORTORA, et al., 2005).

No entanto, não é considerada prática a manipulação de um milionésimo de mililitro ou de grama de um alimento. Para isso, foram desenvolvidos métodos quantitativos  utilizando  diluições  seriadas  das  culturas  ou  amostras.  Assim,  será possível   determinar   rapidamente   o   número   de   bactérias   na   amostra   original (TORTORA, et al., 2005).

O método de contagem em placa é a técnica mais utilizada na determinação do tamanho de uma população bacteriana. A grande vantagem desse método é que as células viáveis são quantificadas. A desvantagem pode ser considerada o tempo, em geral 24 horas, para o aparecimento das colônias visíveis em placa. Esse tempo necessário de incubação pode acarretar problemas na aplicação dessa metodologia em algumas áreas (TORTORA, et al., 2005).

Na realização do método de contagem em placa, é essencial que somente um número limitado de colônias cresça em cada placa. Quando muitas colônias estão presentes, ocorrerá uma saturação impedindo o crescimento de algumas colônias. Esse 

fato conduzirá a uma contagem errônea do número de células. Para esses casos existe o método denominado diluição seriada (TORTORA, et al., 2005).

Na diluição seriada, o inócuo é diluído em uma série de tubos de diluição. Cada tubo de diluição subsequente conterá um décimo do número de bactérias presentes na anterior. Posteriormente, as amostras desses tubos serão transferidas para placas de Petri contendo meio de cultura onde ocorrerá o crescimento das colônias e a contagem. O número de colônias será utilizado na determinação da quantidade de bactérias presentes na amostra original (TORTORA, et al., 2005).

Para   a   realização   de   contagem   em   placa   existem   duas   metodologias:

 

espalhamento em placa e pour plate.

 

Assim,  fez-se  a  técnica  de  contagem  padrão  do  leite  in  natura  de  uma propriedade rural privada do município de Palmeira das Missões-RS, sendo esta técnica de grande importância para avaliar a qualidade do leite produzido localmente e distribuído nas indústrias, tendo em vista a grande influência desse alimento e seus derivados nos hábitos de consumo e nutritivos da população.

Por isso, é necessário conhecer alguns conceitos sobre a qualidade do leite, referentes à composição e condição higiênico-sanitária. Ao levar a sua matéria-prima a um centro processador ou industrial, o produtor tem o seu leite submetido a testes de avaliação, para verificar a sua qualidade. São efetuadas análises, conforme as normas vigentes, visando garantir produtos com o menor risco possível para a população (VIEIRA, KANEYOSKI, FREITAS, 2005).

 

 

2. OBJETIVOS

Geral:

- Realizar a contagem padrão em placa de mesófilos do leite in natura.

Específicos:

- Realizar a semeadura das colônias por diferentes métodos.

- Avaliar o se o leite analisado está obedecendo à legislação vigente.

3. MATERIAIS E MÉTODOS

3.1. Obtenção e Preparo da Amostra 

Foi coletada uma amostra de leite de vaca ordenhado mecanicamente, de uma propriedade rural privada do Município de Palmeira das Missões- RS. No laboratório a amostra foi identificada, alíquotas de 1 ml de leite foram retiradas e transferidas para um tubo de ensaio contendo 9 ml de água peptonada estéril, previamente preparada a

1%. A partir dessa diluição foram feitas outras necessárias a análise do produto. As

amostras foram diluídas em 10−1 a 10−3 para ser possível a contagem em placas.

3.2 Análises Microbiológicas

Foram realizadas análises para a contagem do número total de microrganismos presente no leite in natura. Foram feitas semeaduras pelo método de Espalhamento em Placas (TRABULSI e ALTERTHUM, 2008), e pelo método de Pour plate (TORTORA, et al., 2005).

3.3 Descrição das Análises

Para as diluições 10−1   utilizou-se a técnica de Espalhamento para realizar a semeadura. Com o auxilio de uma pipeta, foi inuculado 1 ml da amostra diluída em

meio ágar e com o auxilio da alça de Drigalsky foi feito o espalhamento da solução na placa e após sedimentação foram colocadas em estufa na temperatura de 37ºC. As semeaduras foram feitas em duplicatas (TRABULSI e ALTERTHUM, 2008).

Para as diluições de 10−2  e 10−3  foi utilizado o método Pour Plate. Com uma

pipeta  foram  inoculados  1  ml  de  cada  diluição  em  placas  de  petri,  em  seguida

 

adicionou-se meio ágar liquido sobre essa diluição, fez-se a homogeneização do meio e após solidificação foram colocadas em estufa na temperatura de 37ºC. As semeaduras foram feitas em duplicatas (TORTORA, et al., 2005).

3.4 Análise dos Resultados

Os resultados encontrados foram comparados com dados da resolução RDC nº

12 de 2 de Janeiro de 2001, do Regulamento técnico sobre os padrões microbiológicos para Alimentos (BRASIL 2001). 

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1 Avaliação das Condições Higiênico Sanitária do Leite Analisado

 

A infecção  dos  Alimentos  por microrganismos  representa um  risco  a  saúde pública, motivo de preocupação para os órgãos de vigilância sanitária (OLIVEIRA e HIROOKA, 1996). As condições higiênico sanitárias durante o processo de fabricação dos  alimentos  podem  determinar  uma  provável  contaminação  alimentar,  seja  por pessoas ou animais doentes, ou por fezes oriundas de pessoas infectadas. O desenvolvimento demasiado de populações de bactérias no interior dos alimentos pode ocasionar sérios problemas quando consumidos (MILLER, 1995).

Segundo a legislação brasileira as quantidades de microrganismos aceitável para

o leite cru, é de “Contagem padrão em placas (UFC/ml) máx. 1,0 x 104 ”  ( BRASIL,

1984).

A média de microrganismos encontrados na amostra de leite foi de 3x 103

unidades  formadoras  de  colônias  por  mililitros  (UFC/  ml).  Seguindo  o  que  diz  a

 

legislação vigente, o número de microrganismos presente nessa amostra está dentro do limite aceitável.

 

5. CONCLUSÃO

 

Assim, pode-se concluir que após feita a contagem bacteriana de mesófilos em leite de vaca in natura, utilizando-se a contagem padrão, os resultados obtidos permitiram verificar que os valores encontram-se dentro dos padrões estabelecidos pela legislação, sendo o leite analisado adequado. Ou seja, está dentro do limite aceitável de microrganismos, podendo ser utilizado pelas indústrias e na produção de derivados.

6. REFERÊNCIAS

BRASIL, Resolução RDC nº 12, de 02/01/2001. Estabelece regulamento técnico sobre os padrões microbiológicos para alimentos. Disponível: <http://www.anvisa.org.br> Acesso em 11 out. 2013.

 

BRASIL, Resolução RDC N º. 12, DE 30/03/1978 da Comissão Nacional de Normas e Padrões para Alimentos - CNNPA. Estabelece normas técnicas especiais relativas a alimentos (e bebidas). Disponível em: 

<http://elegis.bvs.br/leisref/public/showAct.php?id=16216&mode=PRINT_VERSION>

acesso 11 de out. de 2013.

MILLER, J.D. Fungi and mycotoxins in grain: implications for stored product research. J. Stored Prod. Res., 31 (1): 1-16., 1995.

OLIVEIRA, T. C.; HIROOKA, E. Y. Atualidades sobre a detecção de enterotoxinas estafilocócicas. Boletim SBCTA, v 30, n. 2. Campinas: jul./dez. 1996.

 

TRABULSI,  L.R; ALTERTHUM, F., Microbiologia / 5.ed.  – São Paulo: Atheneu,

2008.

TORTORA, G.J; FUNKE, B.R; CASE, C.L., Microbiologia / 8.ed. – Porto Alegre: Artmed, 2005.

 

VIERA, L, C; KANEYOSKI, C, M; FREITAS, H de. Criação de gado leiteiro na zona bragantina. Disponível em: http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Leite/GadoLeiteiroZo naBragantina/paginas/qualidade.htm. Acesso em 11 de out. De 2013.