Volume 1, edição anual - 2013 

 ISSN 2358-8624


 

 

EDUCAÇÃO EMNUTRIÇÃO COMAGENTESCOMUNITÁRIOSDE SAÚDE DE PALMEIRADASMISSÕES-RS

 

OLIVEIRA, Karin Franciani de1; CAMPOS, Fabiane Strack2; POLIDÓRIO, Larissa Nachele Linsbinski2; GHENO, Flávia Picoli2; JESUS, Roselaine de2; KIRSTEN, Vanessa Ramos3; CENI, Giovana Cristina3

 

 

1  Relatora. Curso de Nutrição da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Campus

 

Palmeira das Missões, RS, Brasil.

 

2 Co-autores. Curso de Nutrição da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Campus

 

Palmeira das Missões, RS, Brasil.

 

3  Orientadora. Professora do Curso de Nutrição, Departamento de Ciências da Saúde da

 

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Campus Palmeira das Missões, RS, Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

Palavras-chave: Agente Comunitário de Saúde, Promoção da Saúde, Guia Alimentar.

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

Atualmente os problemas alimentares, advindos da transição nutricional em curso no Brasil, tem imposto reformulações urgentes ao setor, a fim de responder as novas demandas alimentares. A transição nutricional é a ocorrência de mudanças nos padrões de distribuição dos problemas alimentares de uma população (FERREIRA, 2007).

O nutricionista assume o desafio de promover a educação alimentar e nutricional eficaz, com ações que promovam mudanças nos hábitos alimentares dos indivíduos e de suas famílias, impondo a criação de espaços democráticos e participativos (FERREIRA,

2007). A educação popular define-se como um campo de prática e conhecimento que se ocupa com a ligação entre a ação de saúde, o pensar e o fazer do dia a dia da população. Essa experiência acontece quando o trabalho profissional entra em diálogo com a cultura popular (MALFITANO, 2009).

Segundo o Ministério da Saúde, o Guia Alimentar para a População Brasileira é o primeiro documento oficial que define diretrizes alimentares para orientar escolhas mais saudáveis de alimentos pela população a partir de 2 anos de idade. A abordagem multifocal 

incentiva a integração entre as diversas áreas de atuação da saúde, o compromisso dos gestores e a mobilização da sociedade em torno do mesmo objetivo, o de promover saúde e práticas alimentares saudáveis (BRASIL, 2006).

O agente comunitário de saúde (ACS) recebe qualificação específica e faz parte da equipe de saúde local, com a função de acompanhar as famílias da comunidade, ofertar informações, possibilitar o acesso à unidade de saúde e realizar ações de pequena complexidade  (MALFITANO,  2009).  Estes  profissionais  são  membros  das  equipes  de Saúde da Família, e são um dos elos entre as necessidades de saúde da população e o que pode ser feito pelos profissionais e serviços de saúde para melhorar suas condições de vida (IMPERATORI, 2009).

A capacitação dos ACS é uma atividade de educação continuada em saúde, que contribui para a questão da Segurança Alimentar e Nutricional e tem o intuito de torná-los multiplicadores  dos  conhecimentos  dentro  da  comunidade,  ou  seja,  no  atendimento domiciliar de famílias ou na própria Unidade de Saúde da Família (USF) (BERTAIA, 2010).

Desta forma, partindo da necessidade de incentivar o desenvolvimento de ações de promoção da saúde a nível local, o presente projeto visa capacitar os ACS de forma lúdica e prática através de encontros bimestrais, buscando prestar auxílio para a resolução dos principais problemas nutricionais que acometem a comunidade em questão, bem como abrir caminhos para diferentes estratégias de aconselhamento da população.

 

 

OBJETIVO

 

O presente trabalho tem como objetivo demonstrar metodologias de educação alimentar e nutricional  com agentes comunitários de saúde, da cidade de Palmeira das Missões – RS.

 

 

METODOLOGIA

 

Trata-se de um projeto de extensão, onde são realizados encontros bimestrais no Centro de Referência de Saúde do Trabalhador – CEREST/MACRONORTE, na cidade de Palmeira das Missões - RS, sendo que as acadêmicas do curso de Nutrição da UFSM são responsáveis pelo planejamento prévio e desenvolvimento das atividades educativas em nutrição.

Os encontros foram iniciados em Julho de 2013, totalizando três encontros, sendo realizada uma conversa introdutória com 40 ACS, com o intuito de levantar informações 

trazidas por eles sobre a real situação nutricional da comunidade. As atividades realizadas com os ACS estão demonstradas a seguir.

 

 

Atividade 1 – Dinâmica: rede de saúde: utilizando de um novelo de lã e um balão, foi organizado um círculo e cada participante ao receber o novelo de lã deveria dar a opção de um tema, segurar o fio de lã e jogar o novelo para outro participante, que faria o mesmo processo até que todos realizassem a tarefa. Ao final da atividade foram obtidos os assuntos de maior necessidade relatados pelos ACS e o fio de lã formou uma teia, que foi estreitada pela aproximação dos participantes e após isso foi introduzido o balão em cima da rede formada, simbolizando o usuário da rede de saúde.

A  partir  desta  coleta  de  dados,  houve  o  planejamento  dos  encontros  a  serem realizados com a temática dos Dez Passos da Alimentação Saudável do Ministério da Saúde, juntando  temas  distintos  simultaneamente  à  apresentação  do  Guia  Alimentar  para  a População Brasileira (Brasil, 2006). Desta forma, foi elaborado um roteiro de aprendizado, constituído de palestra em forma de slides e do fornecimento de um Guia Alimentar de bolso, contendo informações sobre alimentação saudável, juntamente com atividades participativas.

 

 

Atividade 2 – Questionamentos referentes aos Dez Passos da Alimentação Saudável: foram elaboradas quatro perguntas de fácil entendimento para cada um dos dez passos do Guia Alimentar para a População Brasileira, sendo que as mesmas foram separadas em fichas coloridas que correspondiam aos itens existentes, e foram colocadas em uma caixa confeccionada previamente. Desta caixa, os ACS retiravam as fichas com as perguntas, respondendo-as de acordo com seu conhecimento, podendo ocorrer correção das respostas, caso necessário.

 

 

Atividade  3  –  Confecção  de  cartazes:  foi  proposta  a  elaboração  de  cartazes  com  a finalidade de fixação de conteúdo e avaliação do grau de aprendizado. Foram organizados

10  grupos,  sendo  que cada um  recebeu  um  passo  do  Guia  para  confeccionar o  cartaz explicativo. Distribuiu-se cartolinas coloridas, tesouras, colas e canetões, além disso, os agentes receberam diversos folhetos e revistas contendo imagens de alimentos e outros produtos, para que pudessem elaborar de forma animada e criativa a tarefa proposta. Ao término da atividade, os agentes apresentaram os cartazes criados explicando, a sua maneira, cada um dos passos vistos nos debates. 

Os participantes foram instigados a discutir sobre os assuntos abordados e participar de forma ativa e reflexiva, sanando eventuais dúvidas, além de serem incentivados a desenvolver o ponto de vista crítico a respeito dos temas tratados.

 

 

RESULTADOS E DISCUSSÕES

 

Durante os  encontros  foi  constatado grande interesse e dedicação  por  parte dos agentes, com relatos de mudanças de hábitos próprios após o início das atividades, o que mostra assimilação positiva dos temas abordados.

Ao final de cada tema abordado, as atividades de fixação possibilitaram o acompanhamento da aprendizagem dos ACS, permitindo a cada um deles, por meio da prática, uma melhor assimilação do conteúdo discutido. As atividades realizadas podem ser observadas na Figuras 1.

 

 

 

 

 

 

Figura 1 – Atividades educacionais em nutrição com agentes comunitários de saúde.

 

 

 

A  finalidade  está  sendo  alcançada,  que  consiste  em  permitir  que  os  ACS multipliquem e transmitam da melhor maneira possível o conhecimento nutricional à população e, consequentemente, contribuam para uma maior abrangência da educação alimentar e nutricional na comunidade.

Ações desenvolvidas na comunidade mostram potenciais de produção de resultados efetivos, podendo vir a criar modificações nas redes sociais, sem necessidade de alto investimento  tecnológico  e  de  recursos  materiais  e  financeiros  (MALFITANO,  2009). 

Diversos estudos têm expressado os crescentes debates acerca do potencial do trabalho do ACS para a consolidação de um cuidado em saúde pautado pelos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) (CARNEIRO, 2010).

 

 

CONCLUSÕES

 

O conhecimento adquirido pelos ACS confere benefícios na vida cotidiana e no trabalho, o que contribui para um atendimento de melhor qualidade às famílias desta cidade. Esta experiência proporcionou a ambas as partes uma troca de informações, caracterizando um elo a ser preservado em prol de melhorias na saúde da população. Devemos incentivá-los na aquisição de conhecimento em nutrição, pois é um meio eficaz de se promover a saúde, além do que, eles servem como ponte entre a comunidade e profissionais, estreitando laços e estabelecendo assim uma relação importante quando se trabalha com um número elevado de pessoas a serem atendidas.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BERTAIA,  M.C.;  et  al.  Educação  Nutricional:um  modelo  de  trabalho  com  agentes comunitários de saúde no município de Piracicaba. 7ª Mostra Acadêmica - UNIMEP, 2010. BRASIL. Ministério de Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira, 2006.

BRASIL. Ministério da Saúde. Estratégias de promoção da alimentação saudável para o nível local, 2007.

CARNEIRO, D.G.B.; et al. O agente comunitário da saúde e a promoção da segurança alimentar  e  nutricional  na  estratégia  de  saúde  da  família:  reflexões  a  partir  de  uma experiência educativa. Revista de Atenção Primária a Saúde. Juiz de Fora, 2010. FERREIRA,V.A.; MAGALHÃES, R. Nutrição e promoção da saúde, perspectivas atuais. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 2007.

 

IMPERATORI, G.; LOPES, M.J.M. Estratégias de prevenção na morbidade por causas externas: como atuam os agentes comunitários de saúde? Saúde social. São Paulo,2009. MALFITANO,  A.P.S.;  LOPES,  R.E.  Educação  popular,  ações  em  saúde,  demandas  e intervenções  sociais:  o  papel  dos  agentes  comunitários  de  Saúde.  Caderno  Cedes. Campinas, 2009.