Volume 1, edição anual - 2013 

 ISSN 2358-8624


 Avaliação Antropométrica de Participantes de um Grupo de Intervenção Nutricional

 

SILINSKE, Micheli; POGORZELSKI, Ana Raquel; BONESSO, Carla Smaniotto; SULZBACH, Cíntia Cristina; FUKE, Gitane; CENI, Giovana Cristina; BOTTARO, Silvania Moraes

INTRODUÇÃO

A composição corporal pode ser definida como a estrutura do organismo de acordo com o conteúdo dos diferentes tecidos, células, estruturas bioquímicas e atômicas e suas interações dinâmicas de equilíbrio e funcionamento orgânico (NACIF, 2011). Existem vários métodos para a avaliação da composição corporal e, mesmo os mais simples, necessitam de treinamento especializado (ANJOS, 1992).

As técnicas antropométricas incluem as medidas de peso, estatura, circunferências (cintura, quadril, braço), diâmetros e dobras cutâneas. A interpretação das medidas antropométricas exige o uso de referências e de pontos de corte definidos, e quando se associa uma medida à outra, tem-se um indicador do estado nutricional (VITOLO, 2008).

O momento epidemiológico de transição nutricional da população brasileira aponta para a necessidade de se conhecer e monitorar, cada vez mais precocemente, o estado nutricional, particularmente o sobrepeso/obesidade (GOMES, 2010). O índice de massa corporal (IMC) e a medida de circunferência da cintura (CC) têm sido amplamente utilizados na avaliação do excesso de peso e da obesidade abdominal (REZENDE, 2010).

A Bioimpedância elétrica baseia-se no princípio da condutibilidade elétrica para a estimativa dos compartimentos corpóreos. Os tecidos magros são altamente condutores de corrente elétrica pela grande quantidade de água e eletrólitos; por outro lado, a gordura e o osso são pobres condutores (CUPARI, 2005). A avaliação detalhada dos componentes corporais é fundamental para estabelecimento de condutas nutricionais, clínicas e de prescrição de exercícios físicos, objetivando a garantia de um estado de saúde adequado (NACIF, 2011).

OBJETIVOS

A possibilidade da utilização de medidas simples e de fácil interpretação estimulou a realização deste estudo, que teve como objetivo avaliar as medidas antropométricas dos participantes de um grupo de intervenção nutricional e comparar estas medidas com os valores de referência.

METODOLOGIA

Este trabalho faz parte de um grupo de intervenção nutricional intitulado “Viva Melhor: qualidade de vida no cuidado com a alimentação”, em que a população estudada foi constituída por 8 indivíduos com idade entre 18 e 35 anos. O projeto é desenvolvido pelo curso de Nutrição da Universidade Federal de Santa Maria, Campus de Palmeira das Missões, no ano de 2013.

A aferição das medidas foi executada no local do encontro do grupo, por examinadores previamente treinados. Foram aferidas as medidas antropométricas de estatura (m), peso (kg), circunferência da cintura (cm), gordura corporal (%) e água corporal. Para a avaliação da massa corporal, gordura corporal e água corporal foi utilizada uma balança portátil digital de bioimpedância (Plenna®).No momento da avaliação os participantes foram orientados a ficar com roupas leves e retirar os sapatos. Para a aferição da estatura foi utilizada fita métrica inelástica e inextensível, fixada em uma parede sem rodapé. Para examinar a circunferência da cintura, a fita métrica foi posicionada ao redor da menor curvatura localizada entre as costelas e a crista ilíaca.

O IMC foi calculado utilizando-se as medidas de peso e estatura, de acordo com a seguinte formula “IMC = peso (kg)/ estatura2 (m)”, os pontos de corte de IMC foram os preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As medidas antropométricas dos participantes do estudo são mostradas na Tabela 1. A partir destes dados, foi calculado o IMC dos participantes do grupo, adotando dados da OMS como referência. Pode ser observada prevalência de sobrepeso de 25% e a prevalência de obesidade também foi de 25%, totalizando metade dos indivíduos estudados com aumento na massa corporal.

Mediante os resultados obtidos da medição da circunferência da cintura, podemos observar que a prevalência de CC aumentada foi de 50% dos participantes. Segundo Rezende (2006), o excesso de peso e, especialmente, a obesidade abdominal correlacionaram-se com a maioria dos fatores de risco cardiovascular, principalmente com níveis elevados de triglicérides e reduzidos de HDL, apresentando maior impacto sobre a elevação da pressão arterial.

A análise dos dados obtidos na aferição da porcentagem da gordura corporal dos indivíduos participantes do grupo, resultou em uma prevalência de 75% dos participantes que tiveram as classificações de moderadamente acima, excesso e obesidade, ou seja, a maioria dos participantes do grupo contêm quantidades acima do recomendado de gordura corporal. Na Figura 1 está demonstrada a composição corporal dos integrantes do grupo.

Segundo Cuppari (2005), a avaliação da composição corpórea permite diagnosticar possíveis anormalidades nutricionais, proporcionando maior eficiência nas intervenções nutricionais. O acompanhamento longitudinal dos compartimentos corpóreos, de massa magra e gordura corpórea possibilita compreender suas modificações resultantes de várias alterações metabólicas, além de identificar precocemente os riscos à saúde associadas a níveis excessivamente altos ou baixos de gordura corpórea total e a perda de massa muscular.

Figura 1 - Composição corporal dos integrantes do grupo de intervenção nutricional

CONCLUSÕES

Com o presente estudo podemos observar que uma parcela considerável dos participantes do estudo encontrou-se em sobrepeso ou obesidade, associado a isso, encontrou-se valores aumentados de circunferência da cintura, e ainda a maioria dos participantes tiveram porcentagens elevadas de gordura corporal.

Atualmente, observa-se o aumento do sobrepeso e da obesidade, decorrente de práticas alimentares incorretas, as quais são favorecidas pelo modo de vida da sociedade moderna. O excesso de peso tem se mostrado associado à maioria das doenças crônicas não transmissíveis, as quais figuram como as primeiras causas de mortalidade nos países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Dessa forma, cada vez mais os profissionais de saúde têm necessitam propiciar meios de realizar orientações que resultem em um perfil de composição corporal mais adequado aos indivíduos. Intervenções relacionadas à promoção da saúde e a prevenção e controle da obesidade e das doenças cardiovasculares, têm recebido grande importância por resultarem em alterações desejáveis, tais como redução de peso e dos níveis plasmáticos de lipídeos e de glicose, bem como redução dos níveis de pressão arterial.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

ANJOS, L. A. Índice de massa corporal (massa corporal x estatura2) como indicador do estado nutricional de adultos: revisão de literatura. São Paulo: Saúde Pública, 1992.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento da Atenção Básica. Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Vigilância Alimentar e Nutricional – SISVAN: orientações básicas para a coleta e análise de dados antropométricos em serviços de saúde. Série A. Normas e Manuais Técnicos. Brasília : Ministério da Saúde, no prelo.

CUPPARI, L., Nutrição clínica do adulto. 2. Ed. São Paulo: Manole, 2005.

GOMES, F. da S.; ANJOS, L. A. dos; VASCONCELLOS, M. T. L. de, Antropometria como ferramenta de avaliação do estado nutricional coletivo de adolescentes. Campinas, 2010.

NACIF, M.; VIEBIG, R. F., Avaliação antropométrica no ciclo da vida: uma visão prática. 2. Ed.São Paulo: Metha, 2011.

PEIXOTO, M. do R. G., et al. Circunferência da cintura e índice de massa corporal como preditores da hipertensão arterial. Goias: Arquivo Brasileiro de Cardiologia, 2006.

REZENDE, F. A. C., et al. Índice de massa corporal e circunferência Abdominal: Associação com fatores de risco cardiovascular. Minas Gerais: Arquivo Brasileiro de Cardiologia, 2006.

REZENDE, F. A. C., et al.Aplicabilidade do índice de massa corporal na avaliação da gordura corporal. Minas Gerais: Brasileira de Medicina do Esporte, 2010.

 

VITOLO, M. R., Nutrição: da gestação ao envelhecimento. Rio de Janeiro: Rubio, 2008.