Volume 1, edição anual - 2013 

 ISSN 2358-8624


Atuação do Nutricionista em Políticas Públicas em um Município do Norte do Rio Grande do Sul

 

SMANIOTTO, Franciele Aline; WEISS, Elisa;STOCHERO, Nadiessa; CARLESSO, Sariane Antonia; KIRSTEN, Vanessa Ramos

INTRODUÇÃO

Um problema sério, que vem desafiando os governantes brasileiros, é a fome e as dificuldades para o atendimento das necessidades nutricionais da população. Para que este problema se resolva, é consensual o entendimento da necessidade de criar, em todas as esferas sociais, a consciência do que significam uma alimentação adequada e a desnutrição, tornando-se necessário a criação de parcerias para mobilizar recursos e promover intervenções (TADDEI, 2011).

Com a atuação do nutricionista na Gestão Pública, trabalha-se diretamente na prevenção de patologias, reduzindo a quantidade de fármacos utilizados e, consequentemente, o número de internações. Porém, mais do que economia, a prevenção resulta numa melhor qualidade de vida para a população, garantindo seus direitos básicos.

Quando não é possível atuar na prevenção o nutricionista atua de forma decisiva no tratamento de patologias já existentes possibilitando uma melhora na qualidade de vida da população.

As áreas de atuação do nutricionista vêm aumentando desde seu surgimento (1930-1940). A saúde coletiva é uma das principais áreas, permitindo ao nutricionista desenvolver as ações da política nacional de alimentação e nutrição, que faz parte da Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição (CGPAN).

Estímulo a ações inter-setoriais com vista ao acesso universal aos alimentos; garantia de segurança e qualidade dos alimentos; monitoramento da situação alimentar e estímulos de vida saudáveis; promoção de práticas alimentares e estilos de vida saudáveis; prevenção e controle dos distúrbios e doenças nutricionais; promoção do desenvolvimento de linhas de investigação; desenvolvimento e capacitação de recursos humanos em nutrição (Revista do CRN2, 2009).

Ações de alimentação e nutrição do âmbito municipal incluem o incentivo, o apoio e a proteção ao aleitamento materno; a vigilância alimentar e nutricional (SISVAN); programas de suplementação medicamentosa de nutriente (ferro, ácido fólico e vitamina A); o cuidado nutricional em programas de saúde para grupos populacionais específicos (risco nutricional, hipertensos, diabéticos, etc.) e o acompanhamento das condicionalidades do programa bolsa família (Sistema Conselhos Federal e Regionais de Nutricionista, 2008).

O município de Novo Barreiro situa-se na região noroeste do estado do Rio Grande do Sul, segundo (IBGE, 2013) possui 3.978 habitantes. Sua economia provém principalmente da produção primária, com o cultivo de soja, milho, trigo, erva mate, bovinocultura de leite e suínos.

OBJETIVOS

Este trabalho teve como objetivo observar a atuação do nutricionista em políticas públicas do município de Novo Barreiro- RS.

 METODOLOGIA

Para a realização deste trabalho visitamos o município de Novo Barreiro-RS para acompanhar o trabalho da nutricionista, onde foi feito um vídeo entrevistando a nutricionista e filmando um dos seus trabalhos na saúde pública deste município.

O local onde foi realizada a filmagem foi o Posto de Saúde do município e a Prefeitura Municipal, tendo como participantes a nutricionista e pacientes, sendo que a identificação dos pacientes não é exibida ou revelada no vídeo.

A entrevista constituiu-se de: apresentação da nutricionista; atuações no SUS e nas Políticas Públicas do município; motivações e desmotivações da atuação em Saúde Pública; pontos positivos e negativos das políticas para o nutricionista e para o público que participa do programa; e também, opinião da profissional sobre quais estratégias poderiam ser utilizadas para que as ações fossem mais efetivas.

O trabalho realizado pela nutricionista, que foi acompanhado e filmado, consiste em uma palestra ministrada pela própria, a qual tinha como tema “Rotulagem de Alimentos”, para um grupo de perda de peso.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A partir da realização da entrevista com a nutricionista do município de Novo Barreiro- RS observamos que suas principais atuações nas políticas públicas envolvem a atuação no PNAE; atividades com grupos de risco; participação de atividades do PET, Pró Jovem e PIN; com os pais dos alunos das escolas, os próprios alunos e as merendeiras, e grupos da terceira idade. Não atua no SISVAN, e auxilia a responsável da vigilância sanitária quando necessário.

Ao perguntarmos sobre as motivações e desmotivações na saúde pública, relata a seguinte experiência: “As motivações são que eu vejo resultado, que meu trabalho e esforço trazem resultados, pequenos, mas acontecem, são em “passinho de formiga”. As pessoas estão tentando mudar os hábitos. As desmotivações são a falta de tempo, que impede que eu me dedique exclusivamente para um lugar, porque atendo a saúde e as escolas. E também, a falta de equipamentos e estrutura adequada, mas a prefeitura do município tenta sanar estes problemas da melhor forma possível”.

Para o questionamento sobre, quais são os pontos positivos e negativos das políticas públicas e quais estratégias poderiam ser utilizadas para que as ações fossem efetivadas, ela relatou que: “No meu ponto de vista as política públicas deveriam focar mais na prevenção. Seria mais vantajoso para a nutrição trabalhar a prevenção do que o tratamento. Para o público: eu acho que eles não gostam de participar dos encontros, pois eles só recebem os seus medicamentos se participarem dos encontros. Faltam iniciativas pra incentivar, para fazer eles entenderem que aquelas reuniões são importantes. O que eles querem é só vir pegar os remédio, e isso dificulta”.

Enfatiza que é responsável pelo PNAE, pois é concursada para atuar no PNAE (20 horas/ 2 dias e meio), mas assume outras atividades já mencionadas.

Acompanhamos um dos seus trabalhos na saúde pública, que foi o grupo de controle de peso, criado pela nutricionista no município, com reuniões realizadas quinzenalmente para que a população específica receba orientações de práticas alimentares saudáveis.

CONCLUSÃO

De acordo com a experiência que vivenciamos e os esclarecimentos da nutricionista, podemos concluir que sua atuação na saúde pública não faz parte da área que ela deveria atuar, e que este fato justifica a necessidade de outra nutricionista para atender de forma satisfatória as demandas do município. Mas, mesmo trabalhando 20 horas semanais, divididas em PNAE e saúde pública seu trabalho é excelente e supera as realidades encontradas.

A falta de organização do governo reflete na falta de estrutura e amparo nas políticas públicas, fato que foi mencionado pela nutricionista quando relatou que uma das desmotivações é a falta de estrutura e equipamentos para realizar seu trabalho.

Desta forma concluímos que o papel do profissional nutricionista na saúde pública é de suma importância. Pois este profissional desenvolve trabalhos e ações de práticas alimentares e estilos de vida saudáveis, assim como o cuidado nutricional em programas de saúde para grupos populacionais específicos (risco nutricional, hipertensos, diabéticos, etc.), entre outros, visando à promoção da saúde da população.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 TADDEI, J. Augusto et al. Nutrição em Saúde Pública. Rio de Janeiro; Editora Rubio, 2011.

 Sistema Conselhos Federal e Regionais de Nutricionistas - O papel do Nutricionista na Atenção Primária à Saúde. Disponível em: http://www.cfn.org.br/eficiente/repositorio/cartilhas/61.pdf Acessado em 10/07/2013.

 Revista CRN2 - O Nutricionista na Gestão Publica: um profissional a serviço da qualidade de vida. Disponível em: http://www.crn2.org.br/images/revista/junho2009.pdf Acessado em 10/07/2013.

 Prefeitura Municipal de Novo Barreiro. Disponível em: http://www.novobarreiro.rs.gov.br/?menu=cidade Acessado em 29/05/201.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas - IBGE. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=431349 Acessado em 10/07/2013.