Volume 1, edição anual - 2013 

 ISSN 2358-8624


Cálculo do Gasto Energético de Alunos do Curso de Nutrição em Palmeira das Missões por Equações Preditivas

MOSQUIER, Marília A.; KLAUK, Bruna Hafle; CORADI, Fernanda de Bona; CAPELARI, Pâmela; BEZERRA, Aline Sobreira

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos tem aumentado o interesse pelo conhecimento do papel da dieta na saúde de grupos específicos da população. Isto mostra a necessidade de se obter informação sobre o consumo de alimentos desde a análise da disponibilidade a nível nacional até a avaliação do consumo individual de nutrientes específicos (CARDONA, 1999).

A importância da estimativa das necessidades de energia e outros nutrientes essenciais estão no fato de que, a partir delas, pode se ter elementos para avaliar a adequação de consumo de populações, obtidos em inquéritos alimentares. Estas estimativas, também, podem fornecer subsídios para uma política nacional de alimentação e nutrição (MARTINS, 1979).

Em 1918, Harris e Benedict propuseram equações para estimar a necessidade energética basal a partir da calorimetria indireta para indivíduos, depois disso, foram propostas outras equações para o cálculo das necessidades de energia em repouso ou em atividade (CARVALHO et al., 2012).

A energia necessária para manter as atividades diárias de um indivíduo é composta por gasto energético basal, o gasto energético da atividade física e o efeito térmico do alimento. Assim a taxa de metabolismo basal (TMB) é o principal contribuinte do gasto energético total (60% a 75%) e corresponde ao dispêndio de energia para a manutenção dos processos corporais vitais como respiração, circulação e outras reações bioquímicas envolvidas na manutenção do metabolismo (SARTORELLI et al., 2006).

A atividade física aumenta o gasto energético não somente durante o exercício, mas também após o seu término. O aumento do gasto energético após o exercício depende de sua intensidade e duração. Já o efeito térmico do alimento refere-se ao aumento do gasto energético acima do valor basal, decorrente da energia despendida para os processos de digestão, absorção e metabolismo dos nutrientes ingeridos. Tal efeito representa, aproximadamente, 10% do gasto total de energia (CARVALHO et al., 2012).

Equações para se estimar os resultados da TMB, tem surgido, sendo as mais conhecidas a de Harris e Benedict (1918), Fundação das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO/WHO, 1985), Dietary Reference Intakes (DRI’S, 2002), Henry e Rees (1991), entre outras.

OBJETIVO

Dessa forma o objetivo desse trabalho foi realizar uma análise das necessidades energéticas de estudantes por meio de diferentes equações disponíveis na literatura para determinação do gasto energético total de adultos, e compará-las utilizando como equação padrão à FAO (1985).

METODOLOGIA

A pesquisa foi realizada com 42 estudantes universitários dos cursos de nutrição, de ambos os sexos, com idade entre 18 – 34 anos. O estudo foi desenvolvido no município de Palmeira das Missões, localizado na Região Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

Foram coletados dados como idade, altura, peso e atividade física dos estudantes, os quais foram utilizados em diferentes equações para cálculo das necessidades energéticas para fins de comparação. Foram utilizadas as seguintes equações: Fundação das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO, 1985), Harris e Benedict (HARRIS e BENEDICT, 1918), Henry e Rees (1991) e Dietary Reference Intakes (DRI’s) (IOM, 2002).

Os percentuais de diferença entre os valores (subestimados ou superestimados) foram calculados tendo como base a equação da FAO (1985), sendo estimados para cada uma das equações listadas acima.

 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Com relação às necessidades energéticas obtidas pela equação da FAO, observou-se que entre os estudantes as mesmas variaram de 1828,6 Kcal a 2883,5 Kcal, considerando as diferentes atividades realizadas.

As necessidades energéticas dos estudantes segundo a equação de Harris e Benedict variaram de 1887,7 Kcal a 3981,8 Kcal. Considerando os valores obtidos por esta equação, 78,6% dos estudantes apresentaram necessidades energéticas acima da FAO, valores estes variando de 0,2 a 90,4%. Essa equação permaneceu abaixo desta em 21,4% do público analisado, variando de 0,4 a 10,7%.

As necessidades energéticas dos estudantes segundo a equação de Henry e Rees, que leva em conta as necessidades energéticas basais, variaram de 1147,2 Kcal a 1530,1 Kcal. Considerando os valores obtidos por esta equação, 100% dos estudantes apresentaram necessidades energéticas abaixo da FAO, valores estes que variaram de 31,3 a 48,1%. Em nosso estudo observamos que o gasto energético basal (GER) avaliado nesta equação se aproxima ao da FAO, não sendo observada superestimativa do mesmo, conforme comentado por De Carvalho e colaboradores (2012) que relata que esta equação fornece estimativas menores quando comparadas com as obtidas pelas equações da FAO (1985), e cujos valores por elas estimados parecem, ainda, superestimar o GER.

As necessidades energéticas dos estudantes segundo a equação das DRI’s variaram de 1610,1 Kcal a 2503,0 Kcal. Considerando os valores obtidos por esta equação, 19% dos estudantes apresentaram necessidades energéticas acima da FAO, valores estes variando de 0,1 a 16,4%. Essa equação não variou em 2,4% dos estudantes e permaneceu abaixo desta em 78,6% do público analisado, variando de 0,5 a 20,7%.

 CONCLUSÃO

Com esse estudo podemos concluir que as necessidades energéticas estimadas pela equação das DRI´s subestimam em 78,6% a equação da FAO, porém com valores mais próximos a esta. Já a equação de Harris e Benedict apresenta este mesmo percentual superestimando os valores encontrados na FAO.

Com relação à equação de Henry e Rees, observou-se que a mesma apresenta valores de GER próximos aos encontrados na FAO.

Concluímos que as equações da FAO e DRI´s podem ser adequadas no cálculo das necessidades energéticas da população e que ao se utilizar o fator atividade da FAO, a equação de Henry e Rees se assemelha ao valor encontrado nas mesmas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARDONA, C. M. L. Avaliação do consumo alimentar de crianças frequentadoras de creches municipais de São Paulo. Dissertação (Mestrado em Nutrição) - Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999. 65 p.

CARVALHO, F. G. et al. Métodos de avaliação de necessidades nutricionais consumo de energia em humanos. Rev. Simbio-Logias, v.5, n.7, 2012.

FAO/WHO/UNU. Energy and protein requirements. 1985.

HARRIS, J. A., BENEDICT, F. G. A Biometric Study of Human Basal Metabolism. PNAS Physiology, n. 4, p. 370-373, 1918.

HENRY, C. J. K. RESS, D. G. New predictive equations for the estimation of basal metabolic rate in tropical peoples. Eur J Clin Nutr, v. 45, p. 177-185, 1991.

IOM/ Food and Nutrition Board. Dietary Reference Intakes for Energy, Carbohydrate, Fiber, Fat, Fatty Acids, Cholesterol, Protein, and Amino Acids (Macronutrients). The National Academies Press, n. 5, p. 107-264, 2002.

SARTORELLI, D. S. et al. Necessidade de energia e avaliação do gasto energético. In: CARDOSO, M. A. Nutrição Humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, Capítulo 4, p. 56-77, 2006. 345p.