Volume 1, edição anual - 2013 

 ISSN 2358-8624


Comparação entre dois Métodos de Classificação do Índice de Massa Corporal para Idosos

PALMA, Shelly Westphalen; CRUZ, Sandréli Terezinha da; DALLEPIANE, Loiva Beatriz , KIRSTEN, Vanessa Ramos; MEDINA, Vanessa Bischoff; KIRCHNER, Rosane Maria; BOHRER, Cariza Teixeira

 INTRODUÇÃO

De acordo com Ramos (2008) o envelhecimento causa alterações no corpo humano, que podem interferir no estado nutricional de uma pessoa; assim, a avaliação nutricional é muito importante para detectar alterações precoces e se necessário, intervir de forma adequada, objetivando a prevenção de doenças, promover uma vida saudável, mantendo ou recuperando o estado nutricional. A avaliação nutricional precisa ser criteriosa e considerar que o idoso enfrenta uma alteração da composição corporal, inerente ao envelhecimento, com o aumento do tecido adiposo e diminuição da massa magra, o que pode afetar a força e mobilidade e ainda, favorecer quedas além da diminuição do metabolismo basal.

A partir da avaliação nutricional podemos identificar quais indivíduos apresentam risco nutricional podendo prejudicar sua saúde e então trazer benefícios e soluções para fazer tal interferência. (CAMARANO, KANSO E MELLO, 2004).

A antropometria tem se mostrado importante indicador do estado nutricional. Além de fornecer informações das medidas físicas e de composição corporal, é método não invasivo e de fácil e rápida execução. No caso de idosos, as medidas antropométricas mais utilizadas são: peso, estatura, perímetros e dobras cutâneas. (MENEZES e MARUCCI, 2005)

Na população adulta o método mais usado para classificação de baixo peso, eutrofia, sobrepeso e obesidade é o índice de massa corporal (IMC). É um método que utiliza equipamentos baratos, de uso prático sem necessidade de grandes treinamentos, de fácil e rápida mensuração (NUNES et al, 2009). Para os idosos, ainda não há uma definição clara dos pontos de corte para classificação do IMC (CERVI, FRANCESCHINE e PRIORE, 2005).

OBJETIVOS

Comparar dois métodos de classificação do índice de massa corporal para idosos.

METODOLOGIA

Estudo do tipo transversal realizado com a população acima de 60 anos da cidade de Palmeira das Missões, RS. A amostra calculada foi de 424 idosos e foram selecionados aleatoriamente, tendo como parâmetro os bairros da cidade. A coleta dos dados foi realizada no domicílio e foram excluídos da pesquisa os indivíduos acamados e dependentes. Os dados são oriundos do banco de dados da pesquisa maior denominada “Situação alimentar e Nutricional da população idosa de Palmeira das Missões, RS”.

A variável em estudo foi o índice de massa corporal (IMC), calculado através da divisão do peso em kg pelo quadrado da estatura em metros e o resultado expresso em Kg/m2. A classificação do IMC foi comparada utilizando-se dois métodos de classificação: NSI (Nutrition Screening Initiative, 1994) que considera baixo peso (IMC <22kg/m2), eutrofia (22-27kg/m2) e excesso de peso (>27kg/m2) e da OPAS (Organização Pan Americana de Saúde, 2002) que considera baixo peso (IMC≤23kg/m2), peso normal (IMC>23 e <28kg/m2), pré-obesidade (IMC ≥28 e <30kg/m2) e obesidade (IMC≥30kg/m2).

Os dados foram processados em uma planilha do excel e analisados no software estatístico SPSS 18.0.

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa, da Universidade Federal de Santa Maria, sob o processo de n° 23081.009908/2010-10. Após a concordância, os participantes da pesquisa assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

RESULTADOS

Participaram do estudo 424 idosos, sendo 134 (31,6%) do sexo masculino e 290 (68,4%) do sexo feminino. De acordo com a Tabela 1 que compara a classificação do IMC para idosos entre o NSI – Nutrition Screening Initiative (1994) e a Organização Pan Americana de Saúde (2002), observou-se que os dois métodos concordam em 100% quando na categoria pré-obesidade e obesidade com o excesso de peso (NSI). Já, o baixo peso e eutrofia tem uma concordância ao redor de 70% entre os dois métodos.

Tabela 1 – Comparação da classificação do IMC de idosos pelos métodos NSI e OPAS. Palmeira das Missões, RS. 2010-2011.

 

DISCUSSÃO

A comparação do IMC entre os métodos NSI (1994) e OPAS (2002) permite refletir que a utilização de um dos métodos passa pelo objetivo que se deseja alcançar. Tal consideração parte do resultado encontrado no presente estudo onde se observa a concordância total quando se deseja avaliar a questão do sobrepeso e obesidade em idosos. O método NSI (1994) considera apenas a categoria excesso de peso quando o IMC estiver acima de 27kg/m2, não especificando quantos deles estão em obesidade. Já, a OPAS (2002) permite conhecer as categorias de pré-obesidade e obesidade entre idosos.

Quando se analisa a comparação dos métodos para avaliar o baixo peso observa-se que o ponte de corte entre os dois métodos é mais rigoroso na OPAS (2002) pois abarca todos os idosos com IMC ≤ 23kg/m2 enquanto que o NSI (1994) considera baixo peso os idosos abaixo de 22kg/m2. Assim, aproximadamente 25% dos idosos considerados em baixo peso pela OPAS são categorizados como eutróficos pelo NSI. Já, quanto aos idosos em eutrofia, novamente aproximadamente 25% considerados em eutrofia pelo NSI são considerados baixo peso pela OPAS. Por outro lado, em torno de 25% classificados em peso normal pela OPAS é classificado com excesso de peso pelo NSI. Esta diferença deve-se aos pontos de corte utilizados para esta classificação, ou seja, no NSI eutrofia é considerada entre o IMC 22 a 27kg/m2 enquanto que a OPAS utiliza como peso normal indivíduos com IMC ≥23 e IMC<28kg/m2.

Há uma grande variação nos estudos relacionados ao estado nutricional de idosos que utiliza o IMC como parâmetro (RAUEN et al., 2008), uma vez que não há ainda claramente uma definição dos limites de corte do IMC para este ciclo de vida (CERVI, FRANCESCHINI e PRIORE, 2005; RAUEN et al. 2005). Para a Organização Mundial de Saúde (WHO, 1995) a classificação do IMC para idosos pode usar os mesmos pontos de corte para adultos enquanto que para Cabrera e Jacob Filho (2001) deve haver uma maior flexibilização com o aumento do IMC, quando se refere aos idosos.

Na idade entre 50 a 65 anos o maior problema nutricional entre os idosos é o sobrepeso que está relacionado com as doenças crônicas não transmissíveis, no entanto depois dos 80 anos a preocupação maior refere-se à magreza e perda de massa magra, que estão relacionadas com doenças como tuberculose, doença pulmonar obstrutiva, câncer de pulmão e de estômago (WHO, 1995).

Para Cervi, Franceschini e Priore (2005) deve-se ter cautela ao utilizar os valores de corte de IMC para idosos, especialmente se esses não consideram as modificações na composição corporal que ocorre com o envelhecimento e ainda, recomendam que devam estar associados com outras medidas antropométricas.

CONCLUSÃO

No presente estudo os dois métodos de classificação de IMC para idosos concordam quando o estado nutricional é de sobrepeso e obesidade, no entanto divergem quando a avaliação se refere para baixo peso e eutrofia uma vez que os pontos de corte são diferentes.

REFERÊNCIAS

CAMARANO , A. A.; KANSO , S.; MELO , J. L. Como vive o idoso brasileiro. In: CAMARANO, A. A. (org.). Os novos idosos brasileiros: muito além dos 60. Rio de Janeiro: Ipea, 2004.

RAMOS, L. J. Avaliação do estado nutricional, de seis domínios da qualidade de vida e da capacidade de tomar decisão de idosos institucionalizados e não-institucionalizados no município de Porto Alegre, RS. 2008. 68 f. Dissertação (Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008.

MENEZES, T.N.; MARUCCI, M.F.N. Antropometria de idosos residentes em instituições geriátricas, Fortaleza, CE. Rev Saúde Pública, São Paulo, v.39, n.2, p.169-75, abril, 2005.

NUNES, R.R. et al. Confiabilidade da classificação do estado nutricional obtida através do IMC e três diferentes métodos de percentual de gordura corporal em pacientes com diabetes melito tipo 1. Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo, v.53, n.3, abril, 2009.

CERVI, A.; FRANCESCHINI, S.C.C.; PRIORE, S.L. Análise crítica do uso do índice de massa corporal para idosos. Rev Nutr, Campinas, v.18, n.6, p.765-77, nov/dez., 2005.

RAUEN, M.S. et al. Avaliação do estado nutricional de idosos institucionalizados. Rev. Nutr, Campinas, v. 21, n.3, p.303-310, maio/jun., 2008.

NSI – Nutrition Screening Initiative. Incorporating nutrition screening and interventions into medical practice: A monograph for physicians. Nutrition Screening Initiative, v. 15, n. 1, p. 26-37, 1994.

WOLD HEALTH ORGANIZATION. Physical status: the use and interpretation of anthropometry. Geneva: Wold Health Organization. WHO technical report series 854. 1995.

OPAS. Organização Pan-Americana .XXXVI Reunión del Comitê Asesor de Ivestigaciones en Salud – Encuestra Multicêntrica – Salud Beinestar y Envejecimeiento (SABE) en América Latina e el Caribe – Informe preliminar. Disponível em: <URL:http://www.opas.org/program/sabe.htm.> (mar. 2002 ).