Volume 1, edição anual - 2013 

 ISSN 2358-8624


Frequência de Consumo Alimentar de Crianças e Adolescentes Praticantes de Futsal de uma Escolinha de Palmeira das Missões – RS

 CARLESSO, Sariane Antônia; TAPIA, Andressa; PRESTES, Cristiano Alves; WAGNER, Kelly Angélica; JESUS, Roselaine de; PERIPOLLI, Jeovani; CENI, Giovana Cristina

 

 INTRODUÇÃO

 O aumento da expectativa de vida da população, bem como as mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida, tem contribuído para o crescente aumento na incidência das doenças crônicas não-transmissíveis no Brasil e no mundo. No que tange a população nas suas primeiras décadas de vida, observa-se que um dos principais fatores associados à obesidade infantil está relacionado às mudanças no estilo de vida e hábitos alimentares (CUPPARI, 2009; OLIVEIRA et al., 2003).

O aumento significativo da obesidade infantil tem trazido diversas complicações, dentre elas, alterações metabólicas, hipertensão, dislipidemia e hiperinsulinemia, podendo levar, por exemplo, a doenças cardiovasculares e ao diabetes (BARROS, 2011).

As características atuais da alimentação da população brasileira sofreram influências da industrialização e importação de hábitos alimentares ocidentais. Destacando-se o alto consumo de alimentos processados, de baixo valor nutricional, alta palatabilidade, ricos em carboidratos simples e gordura, consumo elevado de açúcar e refrigerantes em detrimento da ingestão de frutas, legumes, verduras e cereais integrais (TADDEI et al., 2011; FEITOSA et al., 2010).

De acordo com dados nacionais de inquéritos domiciliares realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi identificado que a prevalência de excesso de peso entre os escolares brasileiros, embora ainda seja inferior aos norte-americanos, está crescendo nas mesmas proporções que nos Estados Unidos e países desenvolvidos (VITOLO, 2008).

Segundo Motta e Boog, citados por Cambraia (2012), o comportamento alimentar é formado por diferentes componentes, dos quais citam o cognitivo, o afetivo e o situacional.

Estímulos sensoriais, fatores sociais e o prazer psicológico e físico que os alimentos proporcionam influenciam a preferência alimentar, sendo que estes são consideravelmente importantes no comportamento alimentar.

Em cada grupo alimentar existe uma ampla variedade de alimentos que devem ser consumidos, destacando-se os que são fontes de fibras, vitaminas e minerais. Para a promoção da alimentação adequada e saudável, foram criados os guias alimentares. Os guias alimentares são tidos como aliados para a prevenção das deficiências nutricionais, da obesidade e das doenças crônicas não transmissíveis (CAMBRAIA, 2012).

Barros (2011) destaca a importância de se investigar os hábitos alimentares das crianças e adolescentes brasileiros, trazendo uma série de informações que podem melhorar a dinâmica de trabalho com estas faixas etárias e com isso, favorecer a elaboração de planos estratégicos eficazes para o acompanhamento destes sujeitos prevenindo complicações futuras.

OBJETIVOS

O presente trabalho teve como objetivo analisar o perfil alimentar de crianças e adolescentes praticantes de futsal de uma escolinha de Palmeira das Missões, Rio Grande do Sul, com a finalidade de conhecer seus hábitos alimentares, e assim permitir a adoção de medidas que possam melhorar suas escolhas alimentares.

 METODOLOGIA

Trata-se de um trabalho transversal, de caráter quali e quantitativo, realizado com 60 alunos, do sexo masculino, praticantes de futsal, de uma escolinha do município de Palmeira das Missões – RS. Os alunos praticantes de futsal possuíam idades entre 5 e 13 anos. A presente pesquisa foi conduzida de acordo com os preceitos éticos da Resolução 196/ 96 da Universidade Federal de Santa Maria - RS. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da UFSM, com parecer número 76968.

Foi utilizado, como instrumento de coleta de dados, o Inquérito de Frequência Alimentar do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), sendo que a avaliação das crianças menor de 7 anos foi realizada com a presença dos pais e/ou responsáveis. Os participantes foram questionados sobre a frequência de consumo de determinados alimentos no período dos últimos 7 dias. As coletas de dados foram realizadas entre abril e maio de 2013.

Como referência foram utilizados Os dez passos de uma alimentação saudável para crianças maiores de 2 anos (BRASIL, 2007) e o Guia alimentar para a população brasileira (BRASIL, 2005).

Os dados foram avaliados por meio de estatística descritiva e, utilizando o programa Microsoft Excel 2007, foi calculada a média ponderada de cada alimento.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A Figura 1 demonstra os hábitos alimentares das crianças e adolescentes a partir da média semanal de frequência de consumo alimentar.

Figura 1 - Frequência média de consumo alimentar semanal, relatada pelas crianças praticantes de futsal de uma escolinha de Palmeira das Missões – RS, abril/maio 2013.

Um dos referenciais da pesquisa: Os dez passos de uma alimentação saudável para crianças maiores de 2 anos recomenda o consumo de feijão, no mínimo, 4 vezes por semana.

Os resultados mostraram que o consumo de feijão entre as crianças analisadas está dentro do recomendado. Com relação ao consumo de legumes e verduras cozidos e crus a média encontrada foi de 2 vezes/semana, verificou-se que esta média está abaixo do ideal, que recomenda o consumo diário destes alimentos. Em relação à ingestão de frutas o resultado foi insatisfatório, já que o recomendado é a ingestão diária na forma de lanches e sobremesas. A ingestão semanal de alimentos ricos em açúcar deve ser limitado a no máximo 2 vezes por semana, frequência inferior à encontrada nos resultados. A recomendação quanto ao consumo de alimentos gordurosos é de, no máximo, 1 vez por semana, média excedida nos resultados encontrados (salgadinhos 1,2 vezes/semana; batata frita 1,8 vezes/semana). Constatou-se que o consumo de refrigerantes e embutidos teve médias respectivas de 3,4 e 3,5 vezes por semana, valores elevados quando comparados às recomendações que atentam para a moderação no consumo destes produtos.

As recomendações quanto ao consumo de leite e derivados não é especificada nos Dez passos de uma alimentação saudável para maiores de 2 anos, mas de acordo com o Guia alimentar para a população brasileira: crianças, adolescentes e mulheres gestantes devem consumir 3 porções diárias de leite e derivados, na sua forma integral. Os valores encontrados mostram que a média de consumo semanal inferior ao recomendado.

Os valores apresentados neste estudo apontam para o consumo elevado de alimentos de alto valor calórico e de baixo valor nutricional. Em contrapartida, o consumo de frutas, verduras e legumes está diminuído.

Resultados similares foram observados em um estudo realizado na cidade de Teresina, Piauí. Carvalho et al. (2001), avaliaram o consumo alimentas de 360 adolescentes, e constataram a presença marcante de alimentos ou preparações gordurosas, alimentos ricos em açúcares com pouca fibra e de menor valor nutricional, como pães, doces, balas, gomas de mascar, bombons, sorvetes, refrigerantes e tabletes de chocolate, na alimentação destes adolescentes.

Polla et al. (2011), analisaram os hábitos alimentares de escolares do município de Chapada, Rio Grande do Sul, e constataram baixo consumo de fontes de fibras, elevada ingestão de alimentos contendo alto teor de gorduras, sal e refrigerantes.

CONCLUSÕES

Diante dos resultados apresentados, conclui-se que o grupo analisado alinha-se aos padrões alimentares da maioria da população brasileira. Reafirma-se a ingestão aumentada de alimentos processados, ricos em gorduras e açúcar, considerados os atores do aumento de doenças crônicas não transmissíveis da população brasileira e a redução de alimentos integrais, como frutas, verduras e legumes, fontes de fibras, vitaminas e minerais, essenciais para a manutenção da saúde em todas as faixas etárias.

A análise dos dados evidencia a necessidade de intervenções nutricionais contextualizadas, no sentido de envolver os pais e a escola, com a finalidade de prevenir futuros problemas relacionados aos hábitos alimentares inadequados.

REFERÊNCIAS

BARROS, V. O. et al. Perfil alimentar de crianças com excesso de peso atendidas em uma unidade básica de saúde da família em Campina Grande-PB. Alimentação e Nutrição Araraquara, v. 22, n. 2, p. 239-245, 2011.

BRASIL, Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. Disponível  em:http://www.mds.gov.br/segurancaalimentar/equipamentos/educacaoalimentar/arquivos/guia-alimentar-para-a-populacao-brasileira.pdf/view. Acesso em: 15 out.2013.

 BRASIL, Ministério da Saúde. Os dez passos de uma alimentação saudável para crianças maiores de 2 anos. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/ arquivos/pdf/caderneta_crianca_2007_25.pdf. Acesso em: 13 out. 2013.

 CAMBRAIA et al. Preferência alimentar de crianças e adolescentes: revelando a ausência de conhecimento sobre a alimentação saudável. Alimentação e Nutrição Araraquara, v. 23, n. 3, p. 483-489, 2012.

CARVALHO, C. M. R. G. et al. Consumo alimentar de adolescentes matriculados em um colégio particular de Teresina, Piauí, Brasil. Revista de Nutrição, v. 14, n. 2, p. 85-93, 2001.

 CUPPARI, L. Nutrição: nas doenças crônicas não-transmissíveis. Barueri, SP: Manole,  2009.

FEITOSA, E. P. S. et al. Hábitos alimentares de estudantes de uma universidade pública do Nordeste, Brasil. Alimentação e Nutrição Araraquara, v.21, n. 2, p. 225-230, 2010.

OLIVEIRA, C. L.; FISBERG, M. Obesidade na Infância e Adolescência – Uma Verdadeira Epidemia. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v.47, n. 2, p.107-108, 2003.

POLLA, S. F.; SCHERER, F. Perfil alimentar e nutricional de escolares da rede municipal de ensino de um município do interior do Rio Grande do Sul. Cadernos de Saúde Coletiva, v.19, n.1, p.111-116, 2011.

TADDEI, J. A. DE A. C. et al. Nutrição em Saúde Pública. Rio de Janeiro: Rubio, 2011.

VITOLO, M. R. Nutrição: da gestação ao envelhecimento. Rio de Janeiro: Rubio, 2008.