Volume 1, edição anual - 2013 

 ISSN 2358-8624


WAGNER, Kelly Angélica; CARLESSO, Sariane Antonia; DE JESUS, Roselaine; PRESTES, Cristiano Alves; TAPIA, Andressa; PERIPOLLI, Jeovani; CENI, Giovana Cristina

 INTRODUÇÃO

O crescimento ocorre desde a concepção até o final da vida, sendo considerado um processo dinâmico e contínuo. Esse crescimento constitui um dos melhores indicadores de saúde da criança (ROMANI, 2004).

A monitoração do crescimento físico e do estado nutricional ocorre tradicionalmente por meio de medidas antropométricas, como o peso corporal e estatura, que apresentam aceitação internacional para esse fim, sobretudo na infância e na adolescência, pela facilidade de execução, baixo custo e inocuidade (SIGULEM, et al., 2000; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1995 apud SILVA et al., 2012).

Com a finalidade de fornecer um bom referencial para monitorar o crescimento de crianças e adolescentes que também pudesse ser útil para a avaliação nutricional, a Or-ganização Mundial da Saúde (OMS), em 2006 e 2007, colocou à disposição dos profissionais de saúde dois conjuntos de tabelas e gráficos de evolução, de acordo com a idade e o sexo, de peso, comprimento, estatura, índice de massa corpórea (IMC) e as curvas de crescimento da OMS. Com elas os profissionais da saúde podem escolher a que considerar a mais adequada para realizar o diagnostico antropométrico (LEONE et al., 2009; PALMA et al., 2009).

As curvas de crescimento podem ser expressas em percentis, sendo um instrumento que indica a distribuição das pessoas em relação aos valores obtidos para determinados índices ou medidas. Mostra a frequência com que ocorre determinada medida em um determinado grupo populacional de acordo com o sexo, faixa etária ou estado fisiológico. O percentil 50 é considerado ideal, pois metade da população apresenta o valor referido, o que indica, portanto, uma “normalidade” (PALMA et al., 2009).

Para avaliar o crescimento, contamos com a medida denominada Estatura, que pode ser utilizado para comprimento ou altura. A Estatura/idade é um indicador que expressa o crescimento linear da criança, sendo o índice que melhor indica o efeito acumulativo de situações adversas sobre o crescimento. É considerado o indicador mais sensível para aferir a qualidade de vida de uma população (BRASIL, 2011; NACIF; VIEBIG, 2011; PALMA et al., 2009).

Para avaliar o estado nutricional é amplamente utilizado o Índice de Massa Corporal (IMC), que compreende a relação entre o peso, em quilogramas, e o quadrado da altura, em metros. Esse resultado pode ser classificado de acordo com os pontos de corte preestabelecidos apontando o estado nutricional do indivíduo, e apresenta a vantagem de ser um índice que será utilizado em outras fases do curso da vida (NACIF; VIEBIG, 2011; BRASIL, 2011).

O crescimento e estado nutricional são importantes marcadores de saúde da população, inclusive de crianças e adolescentes, para tanto é necessário avaliar esses indicadores para que seja possível indicar precocemente qualquer problema ou alteração que possa comprometer a saúde do indivíduo.

OBJETIVO

Este trabalho tem por objetivo, realizar uma análise do crescimento e estado nutricional de alunos praticantes de futsal, de uma escolinha de Palmeira das Missões, RS.

METODOLOGIA

O trabalho caracteriza-se como transversal, de caráter quali e quantitativo. A pesquisa foi realizada com 42 alunos, do sexo masculino, praticantes de futsal, de uma escolinha de futsal, no município de Palmeira das Missões – RS. Os alunos praticantes de futsal possuíam idades entre 5 e 14 anos. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da UFSM, com parecer número 76968. A coleta de dados foi realizada no período de abril a maio de 2013.

A avaliação antropométrica foi realizada de acordo com os procedimentos descritos por Vitollo (2008) e Petroski (2007). Para obtenção do Peso o participante foi posicionado em pé, no centro da base da balança digital, com capacidade de 150 Kg, o peso aferido foi registrado em formulário desenvolvido para esse fim. Para a aferição da estatura contou-se com o auxílio de uma fita métrica fixada na parede perpendicularmente ao solo. O avaliado foi orientado a manter-se em posição ortostática, pés descalços e unidos, procurando por em contato com o instrumento de medida as superfícies posteriores do calcanhar, cintura pélvica, cintura escapular e região occipital. O Índice de Massa Corporal (IMC), foi calculado utilizando as medidas de peso e altura, através da fórmula Peso (Kg) / Altura (metros)².

Para a classificação dos dados foi utilizado os parâmetros da OMS (Organização Mundial da Saúde) para meninos de 5 a 19 anos em percentis. Sendo que para estatura por idade para crianças e adolescentes o ponto de corte e classificação são as seguintes: < Percentil 3 indica Baixa Estatura para a idade e ≥ Percentil 3 indica Estatura adequada para a idade. Para o IMC por idade os pontos de corte para crianças e adolescentes e sua classificação é a seguinte: < Percentil 3 indica Baixo IMC para idade; ≥ Percentil 3 e < Percentil 85 indica IMC adequado ou Eutrófico; ≥ Percentil 85 e < Percentil 97 caracteriza Sobrepeso e ≥ Percentil 97 representa Obesidade.

 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após compilação dos dados, foi possível observar que as médias das estaturas em todas as faixas etárias encontraram-se acima do Percentil 3, sendo assim, conforme classificação da OMS, a estatura dos alunos na data da coleta encontrava-se adequada para suas respectivas idades. A comparação das médias de estatura por faixa etárias dos alunos com a Curva de Crescimento de Estatura por Idade da OMS está ilustrada na Figura 1.

Figura 1 – Comparação entre a média de estatura por faixa etária dos alunos e comparação com as Curvas de Crescimento Estatura por Idade de 5 a 19 anos da OMS (em percentis).

Com relação ao estado nutricional, comparando o IMC médio dos alunos por faixa etária com a Curva da OMS de IMC por Idade foi possível observar o predomínio de eutrofia em 5 faixas etárias (50%), sobrepeso em 4 (40%) e obesidade em 1 faixa etária (10%). Sendo que nas faixas etárias de 5 a 6 anos e de 11 a 13 anos de idade o IMC médio caracterizou-se como eutrofia; já nas faixas etárias de 7 a 8 anos, na de 10 e na de 13 anos houve predomínio de sobrepeso; na faixa etária de 9 anos o que prevaleceu foi obesidade. Os dados obtidos estão expressos na Figura 2. Quando analisados individualmente, dos 42 alunos avaliados, 26 apresentaram eutrofia (62%), 13 sobrepeso (31%) e 3 obesidade (7%).

Figura 2 – Comparação entre a média de IMC por faixa etária dos alunos e comparação com as Curvas de Crescimento Estatura por Idade de 5 a 19 anos da OMS (em percentis).

Em estudo realizado por SOAR et al. (2004), no estado de Santa Catarina observou-se uma maior prevalência de obesidade entre as crianças de nove anos, o que também foi encontrado no presente trabalho.

O sobrepeso encontrado nas faixas etárias de 7 a 10 anos, conforme PALMA et al. (2009) pode ser justificado pelo fato de que na idade escolar (7 a 10 anos) ocorre a fase que precede o estirão pubertário, onde pode ocorrer um ganho de peso como formar de armazenar energia para ser utilizada na fase do crescimento pubertário.

CONCLUSÃO

Conforme dados do estudo realizado, metade das crianças avaliadas apresenta excesso de peso ou obesidade, sendo este um marco bem característico da chamada transição nutricional que vem ocorrendo com o passar dos anos. Essas alterações podem ocorrer devido a alterações fisiológicas da própria faixa etária, bem como por fatores externos, como a alimentação, atividade física, fatores socioeconômicos, entre outros.

Crianças em sobrepeso tendem a se tornar adultos com sobrepeso ou obesidade, para tanto se faz necessário monitoramento e acompanhamento desses indivíduos para que não venham a desenvolver outros problemas decorrentes de seu estado nutricional.

REFERÊNCIAS

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Orientações para a coleta e analise de dados antropométricos em serviços de saúde. Brasília, 2011.

LEONE, C. et al. Novas curvas de crescimento da Organização Mundial da Saúde: comparação com valores de crescimento de crianças pré-escolares das cidades de Taubaté e Santo André, São Paulo. São Paulo: Revista Paulista de Pediatria, 2009.

NACIF, M.; VIEBIG, R. F. Avaliação antropométrica no ciclo da vida: uma visão prática. 2 ed.rev. e ampl. São Paulo: Metha, 2011.

PALMA, D. et al. Nutrição clínica na infância e na adolescência: guia de medicina ambulatorial e hospitalar da UNIFESP- EPM. Barueri, SP: Manole, 2009.

ROMANI, S. de A.M.; LIRA, P.I.C. de Fatores determinantes do crescimento infantil. Rev. Bras. Saude Mater. Infant., Recife, v.4, n.1, mar. 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbsmi/v4n1/19978.pdf

SIGULEM, D.M. et al. Diagnóstico do estado nutricional da criança e do adolescente.Rio de Janeiro: Jornal de Pediatria, 2000.

SILVA, D.A.S. et al.Comparação do crescimento de crianças e adolescentes brasileiros com curvas de referência para crescimento físico: dados do Projeto Esporte BrasilRio de Janeiro:Jornal de Pediatria, 2010. Vol.86.

SOAR, C. et al. Prevalência de sobrepeso e obesidade em escolares de uma escola pública de Florianópolis, Santa Catarina. Recife: Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., 2004.

 

WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO Reference 2007. Disponível em: http://www.who.int/growthref/en/. Acesso em: 16 de out. 2013.